Jornal O GLOBO - 09/04/2003
(link direto para a reportagem aqui)
Carro é apenas um meio de transporte
Jason Vogel
Sejamos sinceros: minivans não são projetadas para dar prazer ao dirigir. Esses modelos monovolume têm carrocerias altas demais e, quase sempre, adernam muito nas curvas. Para motoristas que acham que carro é só um meio de transporte, isso passa imperceptível. Mas para os que amam máquinas e motores, os monovolumes são imprecisos e pouco intensos.
Pois a Meriva não foge à regra: é uma minivan certinha, mas dirigi-la não traz arrebatamento. Com o carro em ação, lá vêm os movimentos estranhos de carroceria, balançando de um lado para o outro, ou da dianteira para a traseira, meio joão-bobo.
Quem tiver coragem descobrirá que a aderência do carro é boa (como no Corsa). Mas a sensação ao volante não é das melhores.
Há outros pontos que atrapalham a fruição. Os freios são muito assistidos, à moda dos carros americanos dos anos 60 — pedem sensibilidade para dosar as freadas.
Já os engates do câmbio são algo chochos, e as longas relações da transmissão ofuscam o brilho do motor 1.8 de 16 válvulas que equipa as Meriva mais caras. Resultado: apesar dos 122cv, o carro é meio bobo no trânsito, especialmente abaixo das 3.000rpm.
Mas vamos às partes boas.
O desenho da Meriva é bem original e simpático. O visual do protótipo Concept M chegou quase sem interferências à linha de montagem e hoje são um forte apelo de vendas para esta minivan.
O interior é espaçoso para cinco passageiros, e o banco do motorista tem regulagem de altura para compensar a falta de ajuste do volante. A posição de dirigir é boa, porém as colunas do pára-brisa atrapalham muito a visão, escondendo carros e buracos quando se dobra a esquina.
A versão com motor 1.8 16v custa a partir de R$ 37.804 (ou seja, R$ 4.055 a mais que a versão de oito válvulas). O ar-condicionado sai por R$ 3.114, ou entra num pacote de opcionais (que inclui forrações caprichadas e CD-player) que custa R$ 7.100. O mesmo kit traz o banco traseiro dividido em três.
Quando só há dois caronas atrás, pode-se embutir a parte central do banco no assoalho e aproximar as extremidades direita e esquerda. Como vivemos sem isso até hoje?